Em concreto, contra as primiciais expectativas, terá o tiro saído pela culatra…
Vamos aos factos:
Habituados como estávamos à morosidade do MP na investigação e conclusão de certos processos mais polémicos e mediáticos, congratulámo-nos com a mudança do PG e com a eficácia que logo de início deu provas, nomeadamente no concernente ao de Luís Montenegro, que foi num ápice investigado e arquivado.
Os processos que coziam (e cozem) em lume brando com a antecessora cujo nome já esquecemos e que derrubaram governos, deixando ambíguas marcas na justiceira instituição, com Amadeu Guerra, pelo primeiro-ministro indicado, há poucos meses empossado, pareciam ter entrado na fase da veloz diligência e na profícua resolução.
E porém, de súbito, a menos de um mês das eleições (as datas parecem ser cirurgicamente selecionadas) eis que aparece uma investigação preventiva ao principal opositor de Montenegro, o líder do PS Pedro Nuno Santos, suscitado por alegada denúncia anónima e de imediato veiculada, na tradicional “fuga de informações” aos órgãos de informação adequados.
Em boa verdade, a questão em epígrafe levantada com a aquisição de três imóveis por PNS já havia sido alvo de escrutínio em 2023 mas, com muita oportunidade (?), voltou agora à baila.
Será que a PGR é lesta nos dois casos? Será que consegue apurar, dilucidar e clarificar os contornos deste caso antes do dia 18 de Maio? O dedo mindinho diz-me que não…
Ainda assim, Amadeu Guerra fez um favor a Pedro Nuno Santos, o de mostrar que há diferenças entre este e Luís Montenegro, que, de rodilha em rodilha, não consegue desenredar-se da teia plurívoca em que se envolveu, ao invés do segundo que, no mesmo dia em que soube pela tal comunicação social do que sobre ele impendia, logo se prestou a disponibilizar todos os documentos no imediato, o que de facto ocorreu menos de 24 horas depois, declarando ainda estar imediatamente disponível para ser ouvido ou inquirido pelo MP para esclarecer dúvidas supravenientes ou existentes. O que duvidamos vir a acontecer por temporal indisponibilidade do MP…
E aqui, no inesperado da situação, contra todas as oportunidades ou oportunismos, evidencia-se a diferença entre dois políticos e, esperamos também, que se destaque, não a diferença, mas a semelhança procedimental da PGR ao tratar das investigações/averiguações a ambos.