A Coligação e o discurso do medo
Tem sido uma tristeza ouvir o discurso político adotado pela coligação PSD e CDS-PP a propósito das próximas eleições legislativas. Um discurso pobre, demagógico, baseado no medo, na chantagem e nas ameaças. Um discurso contraproducente com o espírito democrático e com o livre exercício argumentativo que deve suportar a prática politica. É verdade que, […]
Tem sido uma tristeza ouvir o discurso político adotado pela coligação PSD e CDS-PP a propósito das próximas eleições legislativas.
Um discurso pobre, demagógico, baseado no medo, na chantagem e nas ameaças. Um discurso contraproducente com o espírito democrático e com o livre exercício argumentativo que deve suportar a prática politica.
É verdade que, na história, este tipo de discurso tem tido força e tem suportado vitórias eleitorais. Contudo, a população tem de estar atenta e não se deixar manipular por manobras dilatórias.
O tenebroso passado, a desgraça, a bancarrota, a dívida, a vinda da ‘troika’, o resgate, não é o que está em cima da mesa nas próximas eleições. Eventualmente, por esses fatores, o PS já foi julgado nas últimas eleições legislativas e foi penalizado.
O que agora está em causa é a avaliação da ação deste Governo de coligação durante os últimos quatro anos. É este o balanço que os eleitores devem fazer. E, quanto a isto, muito pouco a coligação tem apresentado.
Para merecer o crédito, a confiança do eleitor chegará relembrar o que fizeram, afirmar que se conseguiu uma saída limpa, que se cumpriu com as diretrizes da ‘troika’, que ficámos bem? Alguém fica motivado quando se lhe oferece apenas prudência e reservas? Alguém fica tranquilo sabendo que a atual coligação se candidata a novo mandato tendo como ativo a sua governação passada?
É que estamos a reportar-nos à governação dos cortes dos salários e das pensões, dos ataques ao estado social, da austeridade, do desemprego, do aumento de impostos, da espiral recessiva. Afinal, o que há de tão fabuloso e que pode justificar a manutenção desta governação? O que o Governo tem mostrado aos portugueses é que tem pouco para lhes oferecer, a não ser o seu olhar de passado e a propaganda da estabilidade e da normalidade. Elementos que consideramos insuficientes para quem ambiciona voltar a ser poder e a governar.
Esta coligação não apresenta aquilo que é uma marca essencial da política, que é um horizonte de esperança, de otimismo, de confiança, de sonho e de utopia. Para esta coligação, não há futuro.