Exposição fotográfica de Lauro António no Teatro Variedades mostra Parque Mayer nas vésperas do 25 de abril

A exposição é a memória de um filme nunca filmado sobre o Parque Mayer, visto pelo olhar de Lauro António, e que pode ser visitada no Teatro Variedades até dia 22 de dezembro, de segunda a sexta-feira das 13h às 18h e em dias de espetáculo, até ao seu início.

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  • 15:16 | Segunda-feira, 25 de Novembro de 2024
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Foi em março de 1974, durante uma “repérage” para um filme sobre o Parque Mayer que acabou por nunca ser montado, que o reconhecido cineasta Lauro António fotografou o icónico recinto de teatros de revista da cidade de Lisboa, em vésperas do 25 de abril. Estas fotografias históricas estão agora reunidas numa exposição que pode ser visitada no recém-inaugurado Teatro Variedades, agora sob a gestão da LISBOA CULTURA.

As fotografias que aqui se expõem são o resultado dessa “repérage” e o retrato de um Parque Mayer em vésperas da Revolução dos Cravos, com quatro teatros a funcionar: o Variedades, o Capitólio, o Maria Vitória e o ABC (o único que já não se encontra em funcionamento no local). No Parque Mayer, para além dos teatros, a atividade da época era muita e diversa, com um barbeiro, um fotógrafo, bancas de livros, restaurantes, cafés, esplanadas, salão de snooker, farturas e o jogo dos “tirinhos”, entre outros.

A exposição é a memória de um filme nunca filmado sobre o Parque Mayer, visto pelo olhar de Lauro António, e que pode ser visitada no Teatro Variedades até dia 22 de dezembro, de segunda a sexta-feira das 13h às 18h e em dias de espetáculo, até ao seu início.


 

Nascido em Lisboa na década de 40 do século passado, Lauro António foi um cineasta reconhecido e responsável pela realização de longas-metragens (“Manhã Submersa” e “O Vestido Cor de Fogo”), curtas (“Prefácio a Vergílio Ferreira”, “O Zé Povinho na Revolução” ou “Vamos ao Nimas”), séries de televisão (“Histórias de Mulheres”, “A Paródia”, “Novo Elucidário Madeirense”, “Cantando Espalharei”), e os documentários “José Viana”, “Maria Sobral Mendonça”, “Humberto Delgado: Obviamente, Demito-o!”.

Presente em centenas de Festivais e Semanas de Cinema Português, venceu diversos prémios – nacionais e internacionais – e vendeu os seus filmes para circuitos comerciais e televisões de dezenas de países na Europa, EUA, África e América Latina.

Foi ainda, entre inúmeras outras funções, crítico e ensaísta de cinema, com mais de cinco dezenas de obras publicadas, e diretor de diversas publicações de cinema e vídeo, tendo-se destacado igualmente ao nível da crítica cinematográfica em numerosas publicações e jornais como o Diário de Notícias, o Diário de Lisboa, O Comércio do Porto, A Bola, entre outros.

“Esta exposição de Lauro António preserva a memória histórica de alguém que fez muito pela cultura nacional e transporta-nos para outros tempos do Parque Mayer e dos seus teatros. É muito importante que os nossos equipamentos saibam honrar a sua história, como legado para o seu futuro”, destaca Pedro Moreira, Presidente do Conselho de Administração da Egeac/LISBOA CULTURA.

O Teatro Variedades tem uma longa história na cidade de Lisboa e uma ligação icónica ao teatro de revista. Foi inaugurado a 8 de julho de 1926 (projeto do Arquiteto Urbano de Castro) com o espetáculo de revista “Pó de Arroz” e a casa de grandes sucessos, com grandes elencos onde se destacam Beatriz Costa, Mirita Casimiro e Vasco Santana.

Foi o segundo edifício de espetáculos no recinto do Parque Mayer, que no passado foi muito popular em Lisboa. Ali foram ainda realizados espetáculos até à década de 90 (em 1992 foi palco da gravação do programa semanal da RTP1 “A Grande Noite”, do encenador Filipe La Féria).

A intervenção realizada no Variedades, edifício agora sob a gestão da LISBOA CULTURA, efetuada pela Lisboa Ocidental SRU, procurou preservar o glamour e a identidade do teatro, e revitalizá-lo enquanto centro de espetáculos adaptado às exigências legais e técnicas contemporâneas.

O projeto, da autoria do arquiteto Manuel Aires Mateus, apostou em soluções construtivas de simplicidade e reabilitou os principais elementos que caracterizam o edifício – o pórtico, o foyer, o auditório e o palco –, completando-o com uma nova envolvente funcional, nomeadamente através da construção de novos espaços de acesso e circulação entre pisos, de apoio e de serviço, e de cariz técnico.

O “novo” Teatro Variedades conta com cerca de 300 lugares sentados – com cadeiras desenhadas pelo Arquiteto Manuel Aires Mateus – distribuídos pela Sala principal, a construção de uma bancada e camarotes no piso do balcão e frisas nas laterais da plateia. O Palco mantém as dimensões originais (7,90m de profundidade e 16,80m de largura entre paredes, com avançado em cerca de 3m da boca de cena).

Além de reforçar a oferta para artes performativas, este teatro disponibilizará um novo conceito, enquanto espaço de acolhimento e apresentação para produções independentes e para companhias que não dispõem de espaço próprio.

 

@José Frade

 

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