Tal como o sol, a água quando nasce é para todos! (XI)

Não foi preciso muito tempo para percebermos que algo estava errado, o valor que cobrado pela água era anormal, em comparação com o praticado desde o início da concessão.  Nunca alguém se preocupou em dar uma explicação. Pouco tempo depois, pagávamos a 3.ª água mais cara do país!

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  • 14:03 | Terça-feira, 01 de Abril de 2025
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CAPÍTULO XI

 

Apesar da ficcionada negociação, foi mesmo a Águas do Planalto (AP) que teve de se chegar à frente para financiar os tais 22.250.000,00 euros que, não sendo uma instituição financeira, o fez com recurso à banca.


 

Mas como a AP também não é uma instituição de caridade, mas uma empresa como todas as outras, cujo objeto é o lucro, exigiu, e bem, as contrapartidas para recuperar os encargos que assumira. Assim, em 13 de dezembro de 2007, as partes celebram um Aditamento ao contrato inicial que, segundo a AMRPB, se destinava exclusivamente ao balanceamento (seja lá o que isso for) do equilíbrio financeiro do contrato de concessão. Em que consistiu esse aditamento? E terá sido exclusivamente para isso?

Em primeiro, da concessão que foi a concurso para 15 anos, só passaram 9 e foi alargada por mais 15 anos, até 2028, uma margem temporal menos agressiva para recuperar o dinheiro … e os juros cuja taxa, à época, se situaria na casa de 6% (mas, mais tempo, mais encargos a suportar).

Em segundo lugar, a parte pior e que nos sobrou, foi um escalonamento muito mais agressivo dos valores da taxa de disponibilidade e das tarifas. E quando a tal ficcionada negociação adivinhava que a fatura seria servida ao povo, não era ironia, era mesmo a sério. A fatura agravou-se e continuou, até agora, a agravar-se, muito acima do que o inicialmente previsto!

Não foi preciso muito tempo para percebermos que algo estava errado, o valor que cobrado pela água era anormal, em comparação com o praticado desde o início da concessão.  Nunca alguém se preocupou em dar uma explicação. Pouco tempo depois, pagávamos a 3.ª água mais cara do país!

E porquê? Porque tudo foi feito nas nossas costas, porque ninguém quis assumir a responsabilidade, na certeza de, mais tarde ou mais cedo, e como veio a acontecer, o povo, esse tal povo que nunca se engana, como dizem os fariseus, iria apontar quem julgava culpado.

Faz parte da nossa natureza seguir o fácil e o lógico, que nem sempre nos conduz à realidade. E foi o que aconteceu.

Imaginemos este diálogo:

– O culpado é quem nos envia a fatura da água.

– Mas a fatura não é só da água, também tem a parte do saneamento e do lixo

– Mas são os gajos da água

– Mas o que pagamos pelo lixo é receita da AMRPB e o que pagamos pelo saneamento é receita do município

– Ora, é tudo igual, uma cambada de …

– Tem cuidado com o que dizes, os ladrões são os da água, os outros é tudo gente séria, por isso votei neles…

– Ah, já percebi, tens razão.

– Viste como tenho razão?! … os culpados são os ladrões de bicicletas!

– “Atão”, vamos lá pedalar e fugir daqui, porque reclamar não convém, é perigoso …

 

(CONTINUA)

 

 

 

 

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