CAPÍTULO XI
Apesar da ficcionada negociação, foi mesmo a Águas do Planalto (AP) que teve de se chegar à frente para financiar os tais 22.250.000,00 euros que, não sendo uma instituição financeira, o fez com recurso à banca.
Mas como a AP também não é uma instituição de caridade, mas uma empresa como todas as outras, cujo objeto é o lucro, exigiu, e bem, as contrapartidas para recuperar os encargos que assumira. Assim, em 13 de dezembro de 2007, as partes celebram um Aditamento ao contrato inicial que, segundo a AMRPB, se destinava exclusivamente ao balanceamento (seja lá o que isso for) do equilíbrio financeiro do contrato de concessão. Em que consistiu esse aditamento? E terá sido exclusivamente para isso?
Em primeiro, da concessão que foi a concurso para 15 anos, só passaram 9 e foi alargada por mais 15 anos, até 2028, uma margem temporal menos agressiva para recuperar o dinheiro … e os juros cuja taxa, à época, se situaria na casa de 6% (mas, mais tempo, mais encargos a suportar).
Não foi preciso muito tempo para percebermos que algo estava errado, o valor que cobrado pela água era anormal, em comparação com o praticado desde o início da concessão. Nunca alguém se preocupou em dar uma explicação. Pouco tempo depois, pagávamos a 3.ª água mais cara do país!
E porquê? Porque tudo foi feito nas nossas costas, porque ninguém quis assumir a responsabilidade, na certeza de, mais tarde ou mais cedo, e como veio a acontecer, o povo, esse tal povo que nunca se engana, como dizem os fariseus, iria apontar quem julgava culpado.
Faz parte da nossa natureza seguir o fácil e o lógico, que nem sempre nos conduz à realidade. E foi o que aconteceu.
Imaginemos este diálogo:
– O culpado é quem nos envia a fatura da água.
– Mas a fatura não é só da água, também tem a parte do saneamento e do lixo
– Mas são os gajos da água
– Mas o que pagamos pelo lixo é receita da AMRPB e o que pagamos pelo saneamento é receita do município
– Ora, é tudo igual, uma cambada de …
– Tem cuidado com o que dizes, os ladrões são os da água, os outros é tudo gente séria, por isso votei neles…
– Ah, já percebi, tens razão.
– Viste como tenho razão?! … os culpados são os ladrões de bicicletas!
– “Atão”, vamos lá pedalar e fugir daqui, porque reclamar não convém, é perigoso …
(CONTINUA)