Para a generalidade dos europeus a aplicação de sanções à Rússia por parte da União Europeia estava condenada ao fracasso.
Este adviria sobretudo da posição que expectavelmente a Alemanha assumiria.
Argumentava-se que a grande dependência deste país do gás russo a levaria a “adoçar” as sanções para salvaguarda própria.
Contudo, todos soubemos pelo Chanceler Scholtz que a Alemanha decidiu congelar a entrada em funcionamento do segundo gasoduto que liga diretamente a Rússia e a Alemanha através do Mar Báltico.
Esta é a medida mais significativa das que os diversos países anunciaram.
Com efeito, é uma decisão que afeta a Rússia, mas que afeta também a Alemanha, pois verá ser aumentado o preço do gás, mas também poderá não ter a quantidade necessária às suas necessidades.
Para quem desconfiava da sua solidariedade europeia, a Alemanha mostrou estar à altura do momento que vivemos.
Não só denotou partilhar o sentir e a reação dos países democráticos, como mostrou uma atitude de verdadeira liderança.
E isto não seria pouco pois a Europa não os tem tido desde Jacques Delors (já passaram mais de vinte e cinco anos).