As eleições para a presidência do PSD desencadeadas por Paulo Rangel ao pôr em causa a liderança de Rui Rio deram uma clara derrota – mais uma – a este último. Nas directas, os militantes, as bases, votaram contra o PSD dos “interesses”, segundo Rio.
Após o anúncio dos resultados, Rangel veio apelar à unidade e à união, ele que gerou a divergência e a divisão.
Há muito que Rangel acarinha o sonho de ser presidente do PSD. Em 2008 candidatou-se contra Passos Coelho e saiu derrotado. Em 2021 contra Rui Rio e saiu derrotado. Haverá uma terceira vez?
Mas o derrotado destas directas não foi só Rangel. Obviamente que foi também toda a “claque” de apoiantes, mormente autarcas, deputados e presidentes das distritais, deixando provado e à vista o divórcio existente entre eles e as bases do partido, como bem lembrou Rio no seu contido discurso de vitória ontem proferido.
No distrito de Viseu foi notório o empenhamento do presidente da distrital Pedro Alves e do presidente da câmara de Viseu Fernando Ruas no apoio dado a Rangel, de costas completamente voltadas para Rui Rio, somando assim, também eles, uma derrota de vulto neste contexto eleitoral.
Provavelmente, agora e perante a inevitabilidade do resultado, virão também apelar a “unidade” e à “união”, último reduto dos vencidos.
Esta derrota no distrito de Viseu é também o reflexo e espelho dessa desunião e ausência de diálogo dos responsáveis com as bases, há muito falando para dentro e cometendo erros de palmatória, como, por exemplo, no caso de Vila Nova de Paiva onde Alves, presidente da distrital, desautorizou o presidente da concelhia local, Fernando Brás, recusando o nome do militante António Tavares para candidato à autarquia, preferindo o presidente da assembleia municipal pelo PS, José Manuel Rodrigues, controversa decisão que lhe valeu a derrota.
Esta foi a “voz” dos militantes, surdos aos apelos de Alves, Ruas e outros “notáveis”, das bases “divorciados”.
Se a nova distrital do PSD pode trazer à cabeça Carlos Silva Santiago, presidente da câmara municipal de Sernancelhe e presidente da maior comunidade intermunicipal de Portugal, a CIM Douro, o próximo passo, para as legislativas que se aproximam, será dado com a constituição das listas de candidatos a deputados.
Vamos a ver o que Viseu nos reserva, sendo certo que há mais vida para além do panorama actual, com nomes como Domingos Nascimento, João Caiado, Carlos Costa et all, que bem podem representar a desejada renovação do PSD, pelas bases ansiada.