O último outdoor da campanha do candidato do Chega apresenta-se com a fotografia do dito e com o slogan “Presidente dos Portugueses de Bem”.
É singularmente pérfido o discurso deste político. Já ninguém o ignora e cansámo-nos de o ver regurgitar ódio e mentira nos debates presidenciais. Candidatura que só tem um objectivo: dar-lhe tempo de antena e a exibição que tanto colhe no seio dos ressabiados da Nação.
Na sua algazarra incoerente, do sim, do não, do nim e nos ziguezagues do seu crónico slalom, o candidato assumido de alguns portugueses e não dos portugueses, facto que não se cansa de vincar, é enfatizado agora com esta leva de outdoors: há os de bem e os de mal. Os de bem são os dele, os de mal são os dos outros candidatos.
Num dualismo manicaísta primário (passe a redundância) entre o bem e o mal, ressuscita aqui as tenebrosas forças da opressão cega e da divisão xenófoba séculos fora. Fenómeno que julgávamos extinto com os dramáticos exemplos do recém-passado século XX .
Evidentemente que o espaço para o aparecimento destes indivíduos surge um pouco, também, por culpa e falhanço de outros políticos que, em democracia, cometeram erros que agora servem de bandeira e mote para esta emergente extrema-direita, a exemplo do que se vê nos EUA com Trump, no Brasil com Bolsonaro, na Hungria com Vicktor Orban… e por aí fora
Porque não voto em radicais populistas, pessoalmente, dentro desta perspectiva dual que o líder do Chega apregoa, serei um “português de mal” (o que quer que isso signifique para além de um significante de significado difuso, neste contexto).
E se os “portugueses de bem” são a imagem deste líder, muito me congratulo por estar do outro lado da “barricada”. “Barricada” essa onde se situa a maior percentagem dos portugueses, felizmente…