CAPÍTULO XII
Era “inconveniente”, “não aconselhável”, “perigoso” e outras coisas mais que pudessem desagradar ao poder instituído no meu concelho, o único que, dos cinco e até hoje, passados 50 anos, nunca evoluiu politicamente, diria mesmo que regrediu. Mas alguém deu o pontapé de saída para uma luta que seria dura e com particulares consequências.
Agora, 15 anos depois, orgulho-me de poder falar na primeira pessoa. Depois de um longo interregno que se seguiu ao cumprimento de 3 mandatos na assembleia municipal de Tondela 1979-82, 1982-85 e 1985-89 (os mandatos autárquicos eram de 3 anos e em 1985 passaram para 4 anos), em 2009 fui de novo candidato e eleito para a Assembleia Municipal. Mais uma vez jurei cumprir com lealdade as funções que me foram confiadas. E cumpri!
Intervim sempre em vários temas, mas com particular insistência nas causas relacionadas com a água; a primeira, na sessão de 28 de junho de 2010. Não o fiz contra alguém, mas tive de enfrentar quase todos, incluindo alguns do meu próprio partido. Fi-lo outra vez, fi-lo repetidas vezes e aprendi que, em política, (quase) tudo o que parece, é! Menos a lealdade, menos a seriedade, menos a palavra – para parecerem precisam mesmo de ser.
Recordo algumas mais dessas “ousadias” em ambiente hostil, e faço-o para que fiquem bem claro que, se alguém, autarca ou não, ousar pôr-se em bicos de pés, como parece quere ousar e dizer que esteve lá, que sempre isto e que sempre aquilo, solenemente juro que desmascarei.
Era julho de 2012 – Questionei o presidente da CMT se era verdade que, aos presidentes de junta, solicitou uma lista “à antiga” com identificação dos fregueses que se recusavam a ligar a água, em locais servidos pela rede, invocando que não tinham dinheiro para pagar as taxas…
Estas e outras, por estas e por outras, todas as propostas e iniciativas do PS foram chumbadas pelos membros eleitos e inerentes do PSD, em esmagadora maioria nos órgãos autárquicos de então. Era confrangedor ter de assistir à traição dos presidentes de junta que votavam contra os interesses dos seus fregueses, os mesmos que se recusavam ligar-se à rede, porque não tinham tanto dinheiro para pagar. As atas não me deixam exagerar.
Nesse ano, todos candidatos das lista do PS às freguesias e às novas uniões de freguesias, assumiram o compromisso de, no desempenho do seu mandato, lutarem contra os preços da água. E assim aconteceu! …
(CONTINUA)