No dia 25 de novembro foi assinalado o “Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres”. Uma data importante, criada há 17 anos pela Organização das Nações Unidas (ONU), que visa alertar a sociedade para os vários casos de violência contra as mulheres.
Nos últimos doze anos foram assassinadas 450 mulheres em Portugal e 526 foram vítimas de tentativa de homicídio.
“A APAV recorda que o fenómeno da violência doméstica contra as mulheres abrange vítimas de todas as condições e estratos sociais e económicos; e que os seus agressores também são de diferentes condições e estratos sociais e económicos.”
Vários estudos comprovam que a violência no namoro é um fenómeno bastante comum. Infelizmente, esses comportamentos reprováveis em que os jovens são ou se tornam agressores ou vítimas de violência no namoro, persistem e sofrem uma escalada quando os relacionamentos se tornam mais duradouros.
De acordo com a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), a violência no namoro pode ser definida como um ato de violência, pontual ou contínua, cometida por um dos namorados (ou ambos), com o objetivo de controlar, dominar e ter mais poder do que a outra pessoa envolvida na relação.
Hoje, no final da tarde, fiquei estupefacto. Quando me sentei num café, em Viseu, para ver o jogo entre o Benfica e o Moreirense, fiquei na mesa exatamente ao lado de um jovem casal, aparentemente enamorado e sofisticado.
A televisão já estava sintonizada, sem som, na BTV e a música ambiente estava muito agradável.
Pedi um chá de jasmim que aqueceu a tranquilidade do domingo à tarde. Com o Benfica já a vencer por dois golos ao som de Leonard Cohen, eis que o magnífico final de tarde de domingo foi abruptamente interrompido:
“- Estás a mandar uma mensagem para outro?”
“- Levas nos cornos, levas tu e ele!”
“- Podes ter a certeza, levam os dois nos cornos!”
Enquanto a namorada sorria e recolocava o smartphone na mesa, o rapaz vociferava:
“- Não te estejas a rir, dou-te uma murraça.”
Este “diálogo”, quase monólogo, ocorreu entre sorrisos, festas na mão, trocas de mensagens…
Poderá ser apenas uma forma (triste) de expressão, afinal de contas, saíram ambos abraçados e (aparentemente) apaixonados…
Entristece-me a ideia de haver, ainda que seja apenas um mentecapto, quem utilize uma linguagem tão brejeira e agressiva, desrespeitadora da outra pessoa que, aparentemente, não se incomoda e ainda sorri quando o rapazinho a questiona quanto ao destinatário da mensagem que acaba de enviar…
Muito foi feito nos últimos anos, mas muito mais haverá ainda para fazer quando o assunto é a violência exercida contra as mulheres.